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O castelo de Tavira
A actual cidade de Tavira assenta
numa e noutra das margens do rio Asseca e apenas a uns escassos três quilómetros da orla marítima, essa distância, aliás curta,
talvez até menor outrora, e sempre franqueável por via fluvial, ofereceu a esse lugar características de porto marítimo que
sucessivos povos da Antiguidade aproveitaram, Concretamente se sabe mesmo que no local de uma das modernas freguesias, a da
Luz, existiu a pré-romana Balsa, importante cidade a que os Romanos deram, ainda maior alento, fazendo passar por ali uma
das suas vias militares e construindo para ela uma ponte, Submergida depois sob as ondas invasoras subsequentes ao domínio
dos Romanos, a povoação esteve desde o começo do século VIII submetida ao dos árabes berberes, tendo então adquirido, segundo
parece, o nome que actualmente tem.
Conquistada pelos Portugueses, juntamente com outras terras do Algarve oriental, em 1238 ou 1239, Tavira não mais deixou
de crescer em importância económica e mesmo política; D, Sancho II incorporou-a nos bens da Ordem de Santiago em 1244; D.
Afonso III concedeu-lhe o seu primeiro foral, em diploma aliás não datado; e D. Dinis ampliou em 1303 esses privilégios; D.
Manuel deu-lhe foral novo em 1504 e a categoria de cidade em 1520; D. João III e D. João IV confirmaram os seus privilégios.
Entretanto, e em paralelo com esses
eventos políticos, decorrera a existência do seu castelo medieval, ainda erguido, embora um tanto desmantelado, e que teve
decerto por antepassada uma edificação casteleira já existente na Tavira muçulmana. Aquilo que presentemente se vê é estruturalmente
obra dionisiana, pois foi D. Dinis, em 1292, como uma lápide que chegou até actualidade certifica, quem fez restaurar profundamente
o então destroçado castelo, ampliando-o e dotando-o da torre de menagem. Em 1475 queixam-se os povos em Cortes de que essas
construções militares estavam em risco de derrocada, pelo que é de crer tivessem sido posteriormente restauradas, Já nos tempos
modernos, em 1601, D. João IV mandou-as reforçar com o acrescentamento de obras de fortificação no estilo da época.
O Monarca do Portugal Restaurado, como os demais de tempos de crise nacional, sabia bem que podia contar com o portuguesismo
da gente de Tavira.
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A Ponte Romana
A Ponte Românica é o ex-libris da cidade tal é a
importância desta via de comunicação que ao longo dos tempos uniu os dois lados da povoação e estabeleceu as tão necessárias
comunicações neste Sotavento Algarvio.
Muito se tem dito sobre os primitivos construtores.
Lê-se e ouve-se que a velha ponte foi construída pelos romanos; outros ainda lhe atribuem urna idade bem mais avançada.
Tudo é possível mas que o traçado actual não é tão remoto, parecem comprová-lo
os poucos e escassos documentos gráficos de que se dispõem, já que as descrições escritas se referem a ela a tempos bem mais
antigos.
É portanto uma ponte, originariamente, romana.
Frei João de São José na Coreografia do Algarve
dá-nos belos quadros da nossa região mas não se deteve a descrever a ponte limitando-se a dizer que "por ela se comunicava
sem enfadamento".
Em 1666 George Cardoso já informa que a ponte "é torreada
no princípio o no fim".
Em 1712, o Padre António Carvalho da Costa, no Vol.III da
sua "Corografia Portuguesa" diz que "a ponte de Tavira tem sete arcos".
O coronel engenheiro Sande de Vasconcelos,
na "Planta de Tavira" informa que "a ponte foi feita pelos romanos e reedificada pelo Exmº Conde Vale de Reis, terceiro avô
do Exmº Marquês de Loulé".
Mas será realmente romana a ponte? Tudo indica que não.
Certo será que no tempo romano ali (provavelmente no mesmo sítio em que esta se ergue) terá havido uma construção romana.
Mas o que ali está de romano tem o tipo de construçãopelo que mais correcto será chamá-la românica.
Ao lado Norte da ponte chamavam a "Porta de S. Brás" que foi derrubada em 1862 ou um pouco antes.
A porta do lado Sul é provável que tivesse sido derrubada quando das obras de 1882.
Além destas torres havia uma outra mais
alta junto da entrada Sul, chamada a "Torre do Mar"
Igreja de Santa Maria do Castelo
Muito perto do Largo Detraz dos Muros, ergue-se a Igreja Matriz de Santa Maria do Castelo.
Da antiga mesquita que é suposto ter sido o edifício original, construído no século XIII, restam uma janela árabe e, provavelmente,
a actual torre sineira.
Possui um dos mais ilustrativos e belos portais da época gótica, ricamente ornamentado. Na
fachada, podem observar-se vários elementos da mesma época, como a cornija com gárgulas e uma janela em forma de ogiva.
O interior é constituído por três naves, e é forçoso referir, na capela-mor, os túmulos de
Dom Paio Peres Pereira e de sete cavaleiros da Ordem de Santiago, figuras míticas ligadas à reconquista da cidade aos mouros,
que teriam sido mortos numa traiçoeira emboscada. A Igreja de Santa Maria guarda, assim, testemunhos de um passado que remonta
à própria história de Tavira.
Nas várias capelas, destacam-se a do Santíssimo (século XVIII), a das Almas (século XVIII)
e a do Senhor dos Passos, de origem manuelina, com azulejos de século XVII e um retábulo em talha do século XVIII.
Pode ainda apreciar-se a belíssima decoração em painéis de azulejos e uma imagem de Nossa
Senhora, do século XVIII.
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